Mostrando postagens com marcador Lady Gaga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lady Gaga. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Lady Gaga | O dia mais radiante é na primavera



Duas coisas já se tornaram certas sobre esse blog: ele é meu termômetro emocional e todo dia 25 de setembro tem texto.

25 de setembro é meu dia favorito no ano. Sempre faço questão de lembrar isso, não para os outros apenas, mas principalmente para mim, pois diz muito sobre quem eu sou, quero ser e em quem me espelho. 25 de setembro é meu aniversário de alma, já que o do corpo cai em outra data. A balança me persegue, está sempre comigo em todos os cantos que eu vá, me encurralando em todos os caminhos dessa vida. Nos dias e trilhos mais afáveis, está comigo para dividir os risos. Já nos duros e mais nublado dos dias, vem sempre me lembrar que parte de mim está dividida, pesada e medida em outros corpos que andam comigo quando eu pareço não ter mais pés para isso. 25 de setembro é o dia mais lindo do ano.

Eu sou muito maluca dos signos (e eu não ligo se você, leitor/leitora, não seja) e para uma taurina que tem um mapa tomado por signos de fogo e terra é muito desafiador conviver com pessoas regidas por signos de ar. Parece um papo vazio para quem não se importa com astrologia, mas sendo mais objetiva, tente colocar alguém que a única certeza que existe é a que ele/ela tem razão, para conviver com outra que a única certeza que existe para si é a da mudança. E com certeza pela graça do Universo, no sentido do chiste e da benção, eu como a boa pessoa cheia das observações aleatórias percebi que a grande maioria das pessoas que me cercam são regidas por um signo de ar, mas particularmente por Libra.

A constelação de Libra está visível, se mostra no equinócio quando dias e noites tem suas durações equilibradas. Na mitologia grega Zeus e a titânide Themis tem uma relação arquetípica solar e o lunar, sendo assim são representação do equilíbrio e deram origem a Astreia. Assim como a mãe, Astreia estava ligada à justiça, e o mito retrata que ela se recusou a viver diante das injustiças e abandonou a Terra dando origem à constelação de Virgem, e a balança da justiça que carrega consigo seria a constelação de Libra. Junto com Atena, Afrodite e Apolo personifica o equilíbrio da justiça, inteligência o amor e o belo/harmonioso. E é justamente nesse amor que os astros cruzam Libra e Touro, signos que são regidos por Vênus.

Duas das pessoas mais especiais da minha vida fazem aniversário no dia 25 de setembro, e da mesma forma que a representação mitológica, elas se apresentam para mim como a sensatez que muitas vezes me falta. Por isso passei a comemorar o dia 25 de setembro, que para mim é o dia mais radiante do ano, como se houvesse um verão particular em plena a primavera. O sol esteve especialmente lindo hoje.

Dias radiantes precisam de sons e para mim, esse pode ser traduzido em dois, como são os lados da balança.

I was twenty-three
She was thirty-five
I was spiralling out
And she was so alive
A Texas girl real strong
Taught me this strong song
So when I start to bawl
She says, "let your teardrops fall"


Em 2016, quando lançou o álbum Joanne, Lady Gaga incluiu na versão deluxe a canção Grigio Girls, uma homenagem a sua amiga Sonja Durham, que na época lutava contra um câncer em estágio terminal. Segundo Gaga, a música é sobre como o grupo de amigas que elas tinham em comum continuou se encontrando durante o período de tratamento de Sonja para apoiar umas às outras e se encorajarem diante da situação. Grigio Girls é sobre um grupo de amigas que vão continuar se encontrando para tomar vinho comum – sim, Pinot Grigio é um vinho bem popular nos EUA -  e não deixarem sem o apoio umas das outras. É uma música sobre resiliência, mas que antes de tudo é sobre não temer compartilhar as vulnerabilidades que temos com aquelas pessoas que de fato compartilham sentimentos conosco. Muitas vezes tudo que a gente precisa é compartilhar um silêncio com alguém.

Hey girl, can you hear me?
Are you holding out your heart?
Hey girl, do you feel me?
Sometimes I go too far
Hey girl, it ain't easy
I know it's pulling me apart
But darlin', don't you leave me
Baby, don't you leave me

        
               No mesmo álbum, Gaga dividiu o vocal com Florence Welch na faixa Hey Girl, que é um hino a sororidade, mesmo que essa palavra tenha se tornado cada dia mais escorregadia em seu uso. As mulheres estão constantemente sendo colocadas em posição de rivalidade, mas Welch e Gaga cantam para contrariar tudo isso. Quando as mulheres se apoiam, se motivam e agem empaticamente, mesmo diante das diferenças, todo o sistema se move com elas. 


            Eu me sinto grata por dividir o peso da minha caminhada que por vezes parece caustica demais, com mulheres que me inspiram e me fortalecem. Cada primavera floresce trazendo à lembrança que não ando só.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Lady Gaga| Seguir em frente, seguir o som.


Aprendemos com a TV que dezembro tem cara de retrospectiva. Fazer balanços do ano já se tornou uma tradição implícita na demanda popular. A cada ano se repetem as ladainhas da dieta nova que precisa ser feita, dos projetos que não se concluíram e que precisam ser concretizados no ano que vai se iniciar. Dezembro sempre é um misto de lamentação pelos feitos não alcançados e promessas pelos planos desejados.

É bem verdade que se criou um simbolismo enorme nessas datas, um rito de passagem que envolve memórias, histórias e recomeços. Mas no final do dia, foi apenas mais um ano, mais um trecho de canção mal ou bem cantada. Só mais um caminho cheio de aridez ou ladrilhado. Não sei, cada um tem seu ano, suas experiências e viveu nele a parte que lhe cabia nesse latifúndio. Como já me disse a senhora dos cabelos cor de prata “a gente acaba por coloca peso nas coisas”. A gente ressignifica e põe sentido naquilo que nos convêm e nos que desagradam. A gente se reinventa, e isso é bom, mesmo que para isso a dor se torne apenas cicatriz e a tristeza se transforme em lembrança.

Lembranças, talvez seja a palavra que melhor possa definir esse ano para mim. Nada de nostalgia dolorosa, mas a memória do que de tão bom não poderia ir, mesmo em meio a tanta porrada. É coisa de dentro, como os sabores da infância, os sons da adolescência e os prazeres que a juventude nos proporciona. São coisas que a gente não desliga ou apaga da mente, simplesmente relembra a cada gatilho disparado.

If you could
I know that you'd stay
We both know
Things don't work that way
I promised I
Wouldn't say goodbye
So I grin
And my voice gets thin

Em meio a essas lembranças estão aquelas que gostaríamos de ter a eternidade para senti-las. Não é tristeza, é saudade. Cada um manifesta no seu tempo e do seu jeito. Eu sempre fui uma pessoa silenciosa, ninguém me ensinou que era melhor observar mais e falar menos, eu simplesmente nunca suportei qualquer tipo de exposição. Mesmo sendo professora e tendo que lidar com as demandas acadêmicas, ainda tenho crises de ansiedades terríveis para falar em público.Então, sempre fui a ouvinte. 

Em meio a todos os fatos e a minha natureza, desde fevereiro vi tudo virar de cabeça para baixo, inclusive em ver que o meu silêncio tinha se tornado um turbilhão transposto em ideias e palavras, mesmo que em meio a um público que tem a síndrome de Zé das Medalhas. Mesmo com todo recolhimento, sempre vão haver momentos de parar e respirar para não pirar. Isso nada tem a ver com as lembranças, pois elas nos afagam, isso tem a ver com a falta de sensibilidade e noção das pessoas que estão ao nosso redor. Mudar o disco, o ritmo e sorrir mais, mesmo em meio ao caos, tem sido uma boa saída. Talvez as pessoas não percebam que não precisam mexer com ferida para que ela melhore, basta deixar ela quietinha cicatrizando no seu tempo.

Joanne traduz minha voz engasgada. Em outubro, Lady Gaga lançou seu quinto álbum e eu que sempre fui quase apática para os trabalhos dela – com exceção do disco Cheek to Cheek em parceria com Tony Bennett- tive que parar e ouvir, mas ouvir repetidamente e nem tão parada assim. Diamond Heart, AY-O e Dancin' in Circles já se tornaram hinos e são capazes de arrancar qualquer pessoa da monotonia. Mas é um trabalho muito para além do “fervo”, tem uma profundidade que vai da sensualidade à reflexão. Em meio a essa reflexão, encontramos a saudade.

A canção que dá nome ao álbum soou como um abraço apertado em manhã de sábado para mim. Não se trata apenas do segundo nome na certidão de nascimento de Stefani Germanotta, mas sim uma homenagem a sua tia falecida em decorrência do lúpus. A faixa título, que tem a pegada country que Gaga derramou por todo esse trabalho, não é questionamento post mortem, mas um diálogo de despedida. É um ter de dizer adeus sem o desejo de deixar ir. Ao mesmo tempo que existe a angustia pela partida, por toda a incerteza que isso envolve, deixar ir representa libertação. É dar a liberdade para quem precisa partir e é entender que os que ficam precisam seguir.


Honestly I know where you're goin'
And baby you're just movin' on
And I'll still love you even if I can't
See you anymore
Can't wait to see you soar


Não é um até breve, não é um já volto, é simplesmente seguir e cultivar as memórias. O amor, assim como a lembrança, não pode ser levado de nós, até porque não são matéria, são a sutileza do nosso ser. 

Muitas músicas rolaram, textos também, mas nenhuma poderia traduzir de melhor forma esse “agora”. A vida é marota, ela nos deixa provar da felicidade e memorizar bem suas nuances, mas ela não nos prepara para a despedida. Como lidar? Cada um aprende com suas experiências, a minha é silenciosa, mas revolta dentro de mim.


Vida que segue...