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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Playlist| Uma playlist para correr da bad



Seguindo a linha de pensamento que a música cura, estamos aqui para dar um chute na sua bad. Porque é julho, temos férias e não estamos em condições de perder tempo. Não estamos aqui para fazer ode as dores de cotovelo e muito menos lobby para os dias ruins. Sim, os dias ruins existem, são até necessários para reflexão e a busca por algo que a gente não presta atenção no barulho da euforia dos dias bons, mas se afundar na tristeza, principalmente quando essa tristeza tem nome e telefone, não está valendo.

Eu tenho uma preguiça grande de montar playlist, porque minha memória é terrível, então eu nunca consigo fechar imediatamente uma seleção de músicas. Por incrível que pareça, para quem acompanha o blog, eu sou péssima para indicações. Eu nunca lembro ou sei o que dizer imediatamente. Mas com um pouquinho de calma e boa vontade a gente monta uma playlist para todo mundo se amar no final do dia.

Essa seleção, em especial, tem CEP. E como eu não queria ser repetitiva em falar e escrever, resolvi que mandaria as energias e coraçõezinhos de Panda em forma de músicas. A gente faz o que pode, né mores? Se pudéssemos dar um grito no ouvido das pessoas, daríamos também. Mas vamos no amor, porque tem muito disso envolvido.

Drake abre as porteiras como Hotline Bling. Eu poderia acordar dançando todos os dias com essa música. Não sei vocês, mas tem gente que deixa as pessoas bem bobas assim, querendo acordar com musiquinha animada –olha que heresia... a taurina querendo acordar- A sessão continua com Rihanna e Work, porque estamos nessa vida para enaltecer a rainha. Demi Lovato, Miley Cyrus, Minaj e Beyoncé continuam na pegada do “vamos curtir, porque o resto está difícil”.

Caetano, Gil, Bethânia e Gal chegam para mudar o tom da conversa. A lista vira conversa ao pé do ouvido, porque as vezes é difícil se fazer entender. Estamos aqui esperando a deusa Ártemis aguçar a rapidez dos pensamentos. Muito Obrigado Axé é como um mantra em meio a toda agitação, de canções e da própria vida.   

Minha Lua em Peixes aparece sorrateiramente nas vozes de Caetano e Gadú. Rapte-me, Camaleoa é uma abertura de sentidos impressionante, não é coisa para iniciantes, é música para sentimento bem adulto.

Os amados e animados anos 80, que eu só posso viver musicalmente, vem com o new wave do Bow wow wow e sua I want candy, mas é com Cyndi Lauper que a festa acontece. Quem acha que o Girl Power é coisa de Wannabe para cá, nunca vai saber o que é sentir liberdade ao ouvir Girl Just Wanna Have Fun.

Enfim, foi uma playlist diversa, cheia de ondulações que nos levam desde a agitação até os momentos que a gente só quer falar algo ao ouvido. Mas acima de tudo, essa é uma lista para dar um tapa na cara da tristeza e se recusar a perder os dias ensolarados. E se faltar o sol, abra um guarda-chuva. Não estamos em condições de ficar de boca aberta esperando a vida passar.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Playlist| A playlist para um dia agridoce



Tem dias que a gente não sabe o que dizer. Hoje eu fiquei sem palavras. Foi um dia com sabor estranho, diferente. Teve outros sons, outras cores, e nada do que estava planejado nesse espaço/tempo aconteceu. Experimentei minha própria companhia, sorri sozinha. Me dei o direito ao ridículo e chorei como criança que descobre a vida pela primeira vez. Foi um dia agridoce.

A inquietude que dominou minha manhã me levou a oscilar entre Cultura e Civilização, de Gal Costa e o álbum Dois amigos um século de música, dos geniais Gil e Caetano. De um lado um espirito querendo vibrar bem alto ao som psicodélico de Gal. A outra parte de mim queria serenidade. Hoje foram vários anos em um dia. Foi como estar dentro de um labirinto em mim buscando não a saída, mas um começo. Tudo muito intenso, tudo muito louco, tudo muito agitado.

No caminho pra casa e na expectativa do almoço com as companhias mais lindas que a vida poderia me presentear, fui ouvindo Rihanna. We Found Love sempre será a música que me leva de volta para 2012, me joga para meu descobrimento pessoal. Um dia preciso escrever sobre essa música e a que ela me remete. Mas por hora, podem saber que ela significa liberdade para mim.

Uma parada no supermercado. Agitação, filas e treta no estacionamento, era o prenúncio de que os planos tomariam outros rumos. Sai de lá. Olhei para o celular e vi uma série de mensagens nas redes sociais. Eu sabia o que elas queriam avisar. Fechei os vidros e me permiti. Alice Caymmi cantou Iansã e eu desejei poder ter meu pai Tiago de volta porque um dos dias que ele mais sonhava havia chegado. Como um raio é intenso, me deixei fluir. Chorar não é algo fácil para mim, mas simplesmente corriam lágrimas no meu rosto e deixei cair uma por uma até que eu tomasse novo fôlego. Cheguei em casa.

Não dava para cozinhar. Eu só poderia ficar sentada na poltrona, atônita, e tudo que eu desejei foi um abraço. Não deu. Quis o destino, que é capcioso, que eu ficasse comigo mesma. Enquanto cozinhei meu almoço escutei Bethânia e Ivete Sangalo se derramarem com Muito Obrigado Axé. Restaurei as forças.

Me dei a chance de sorrir. Assisti as bobagens e cafonices diárias da TV. Me senti viva. Foi uma sensação única. Foi como permitir pequenos prazeres, sem culpa. Zero, de Liniker, tocou e eu tive doces e dourados pensamentos. Me fez pensar sobre uma Vésper feroz que agita minhas ideias. Me banhei e me deixei cochilar.

O dia que planejei foi diferente do dia que vivi. Não podemos cobrar tanto da vida, as pequenas felicidades são vitorias diárias em meio a tantas agruras. Um novo caminho se projeta, e mesmo que eu ainda não possa mensurar aonde tudo isso pode me levar não quero o alvoroço ou o medo do que não se vive. Tenho pavor da presunção humana em definir as rotas do futuro como se fossem estradas de ferro. A vida é cortada por caminhos diversos. Ora é asfalto, leve e liso. Mas também pode se apresentar como rotas lamacentas. Às vezes a vida tem som de festa, por vezes prefere o silêncio. O sabor, esse nunca será o mesmo. Ele é acentuado por nossas aflições e euforias. Quando tudo isso se encontra, surgem os dias agridoces.